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Madeira e Móveis · Mercado Livre de Energia

Conta de luz mais barata para Madeira e móveis: serrarias e indústria moveleira

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Serra fita, refiladeira, picador, estufa de secagem, prensa, seccionadora e coleta de pó: a cadeia da madeira é feita de motores grandes. Mesmo assim, só um terço das unidades de madeira e móveis do Grupo A compra energia no Mercado Livre, e entre as serrarias a fatia cai para 18%. São 2.264 unidades ainda na tarifa regulada.

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Onde a madeira e o móvel gastam energia

  • Serraria: serra fita de tora, serras múltiplas, refiladeira, destopadeira, carro porta-toras e esteiras. Um estudo de uma linha de serraria em Lages (SC) somou 33 motores e 383 cv, com a serra fita horizontal de seis cabeçotes sozinha em 125 cv.
  • Resíduos: picadores e transportadores que transformam costaneira e serragem em cavaco, muitas vezes queimado na própria caldeira.
  • Secagem: estufas com ventiladores ligados dia e noite por vários dias a cada carga. O calor vem da caldeira a lenha ou resíduo; os ventiladores são elétricos.
  • Laminados, compensados e painéis: torno laminador, secadores e prensas quentes de grande porte.
  • Indústria moveleira: seccionadoras, coladeiras de borda, centros de usinagem CNC, lixadeiras, cabines de pintura com exaustão, compressores e o sistema de coleta de pó, com ventiladores entre as maiores cargas da fábrica.

No levantamento do Energia Livre Brasil na base que as distribuidoras entregam à ANEEL (BDGD), a unidade típica de madeira e móveis que ainda está no mercado regulado consome cerca de 7,3 MWh por mês, com metade delas entre 3,1 e 15,1 MWh, e tem demanda mediana de 96 kW.

O que a base da ANEEL mostra sobre madeira e móveis

A BDGD de 2025 registra 4.259 unidades consumidoras de madeira e móveis no Grupo A, em 1.056 municípios. Só 34% estão no mercado livre, contra cerca de metade em têxtil e calçados.

  • Serrarias: 1.465 unidades, das quais 904 seguem no mercado regulado e 197 são livres. É a menor taxa de migração da cadeia.
  • Laminados, esquadrias, embalagens e outros produtos de madeira: 1.178 unidades, 602 no mercado regulado.
  • Móveis e colchões: 1.616 unidades, 758 no mercado regulado. Nos móveis de madeira, 45% já migraram.
  • Porte: 2.223 das 2.264 unidades que seguem no mercado regulado têm demanda abaixo de 500 kW e migrariam por um comercializador varejista. Em 2025, 228 migraram.
  • Paraná: 850 unidades do setor estão na área da Copel, que não informa na BDGD quais são livres. Elas entram no total, mas não nos percentuais.

Os polos da madeira e do móvel

Santa Catarina concentra um terço das unidades que seguem no mercado regulado. No planalto norte e serrano, São Bento do Sul lidera, seguida de Rio Negrinho, Santa Cecília, Curitibanos, Mafra e Porto União; no Alto Vale, Presidente Getúlio. Em Rondônia, nenhuma das unidades de madeira e móveis de Cujubim, Espigão D'Oeste, Porto Velho e Ariquemes migrou, embora 16% das unidades de empresas atendidas pela Energisa Rondônia no Grupo A já estejam no mercado livre. Na indústria moveleira, Bento Gonçalves já tem a maior parte das fábricas no mercado livre, e Ubá (MG) e Garibaldi (RS) estão divididos.

O que reduzir na conta, com ou sem migração

  • Energia reativa: serraria é feita de motores, e motor comum trabalha com fator de potência entre 0,78 e 0,90, abaixo dos 0,92 que a distribuidora exige. No estudo de Lages, a correção pedia cerca de 85 kVAr em capacitores. Veja energia reativa.
  • Horário de ponta: serra e picador parados nas três horas de ponta, com a unidade na modalidade verde, cortam a parte mais cara da tarifa. A estufa pode seguir ligada. Veja modalidade tarifária.
  • Demanda contratada: a partida da serra fita e do picador define o pico. Escalonar as partidas permite contratar menos. Veja demanda contratada.
  • Bandeiras: uma serraria que consome 7.000 kWh por mês paga R$551 a mais em um mês de bandeira vermelha 2.

Energia renovável para quem exporta e certifica

Madeira e móveis vendidos para o exterior ou para grandes redes costumam exigir certificação da origem da madeira, e cada vez mais da energia. No mercado livre, a serraria ou a fábrica pode contratar energia de fonte renovável com certificado I-REC, que documenta essa origem ao lado da certificação florestal.

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Continuidade do fornecimento

A migração não exige obra elétrica nem troca de equipamento além de uma eventual adequação do medidor. A distribuidora continua responsável pela rede que chega à serraria, muitas vezes em área rural e no fim de linha; o mercado livre não muda a qualidade nem a manutenção dessa rede. O que muda é quem vende a energia e o preço pago por ela.

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Perguntas frequentes

Serraria que trabalha em um turno compensa migrar para o Mercado Livre?

Pode compensar. Desde janeiro de 2024 qualquer unidade do Grupo A pode migrar, e abaixo de 500 kW a entrada é por um comercializador varejista. Quem trabalha só de dia quase não consome no horário de ponta, e o contrato de energia é feito para esse perfil. O que pesa é o prazo: a migração acontece 180 dias depois do aviso à distribuidora, e o contrato dura de 1 a 5 anos, então a serraria precisa ter matéria-prima e operação garantidas nesse período.

Quanto a bandeira vermelha 2 pesa na conta de uma serraria?

Uma serraria que consome 7.000 kWh por mês, perto do consumo típico das unidades de madeira e móveis no mercado regulado, paga R$551 a mais em um mês de bandeira vermelha 2 (R$ 7,88/100 kWh). No mercado livre, a bandeira tarifária não incide sobre a energia contratada.

Marcenaria e fábrica pequena de móveis podem migrar?

Só se forem atendidas em média tensão (Grupo A). Marcenarias e pequenas fábricas de móveis ligadas em baixa tensão poderão migrar a partir de 25 de novembro de 2027, com a abertura para empresas em baixa tensão. Até lá, revisar o horário de uso das máquinas e a correção do fator de potência é o que reduz a conta.

Veja o perfil de papel e celulose, compare com a indústria em geral ou entenda o Mercado Livre de Energia completo.


Fontes e Referências

  • * Projeção ELB: teto estimado de economia na parcela de energia da conta, calculado pelo Energia Livre Brasil com a tarifa média de energia das distribuidoras e o preço de longo prazo do mercado livre (Boletim da Energia Livre, Abraceel, julho de 2026) e as tarifas homologadas pela ANEEL. Nesta página: perfil indústria em turnos (2–3 turnos, 6 dias), em distribuidora de tarifa alta, com o custo médio de bandeira. Não inclui uso da rede (TUSD), encargos e impostos, e não é promessa de economia. Como calculamos →
  • ANEEL — Base de Dados Geográfica da Distribuidora (BDGD) de 46 distribuidoras, posição de 31/12/2025, publicada em agosto de 2026: unidades consumidoras ativas do Grupo A das classes industrial, comercial e rural com CNAE 16 e 3101 a 3104, em todo o país. Contagem, consumo, demanda e migrações calculados pelo Energia Livre Brasil; percentuais de livres sem a Copel, que não informa esse campo. dadosabertos-aneel.opendata.arcgis.com
  • Tristão, R. S. — Correção do fator de potência e eficiência energética em novos equipamentos de linhas de serrarias. Trabalho de conclusão de curso, Engenharia Elétrica, Centro Universitário UNIFACVEST, Lages (SC), 2019: potência dos motores de uma linha de serraria e correção do fator de potência. unifacvest.edu.br
  • ANEEL — Resolução Normativa 1.000/2021: elegibilidade e aviso prévio para o Mercado Livre de Energia e cobrança de excedente de reativo abaixo do fator de potência de referência de 0,92. aneel.gov.br

Nota sobre os dados

O setor elétrico brasileiro é regulado por portarias, resoluções e normas em constante revisão. Tarifas, percentuais e estimativas apresentados neste conteúdo têm caráter de referência — não de valor absoluto. A BDGD conta unidades consumidoras (medidores), não empresas, e o setor sai do CNAE que a distribuidora registrou para cada unidade. Consulte sempre a análise gratuita e, quando necessário, um especialista regulatório.

Conteúdo revisado e atualizado em outubro de 2026.

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