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Até 35% de economia no Mercado Livre de Energia: quando é possível — e quando não é

Praticamente todo anúncio do setor promete 'até 35% de economia'. É um número possível — mas raramente vem acompanhado do que determina se a sua empresa chega perto dele ou fica bem longe. Esta página existe para preencher essa lacuna.

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De onde vem o número "até 35%"

O número não é invenção de marketing — é um teto que existe, mas só em condições específicas de tarifa e perfil de consumo. O problema é como ele costuma ser usado: como se fosse a economia esperada de qualquer empresa que migrar, independentemente do perfil.

Os dados agregados do mercado contam uma história mais precisa. Segundo o Boletim da Energia Livre (Abraceel), a economia média estimada no preço da energia do Mercado Livre no Brasil foi de 23% em julho de 2026 — bem abaixo do teto de 35% que aparece nos anúncios. E atenção ao que esse número mede: ele compara a tarifa média de energia das distribuidoras (R$ 325/MWh) com o preço de longo prazo no mercado livre (R$ 251/MWh), já considerados os encargos de serviços do sistema e de energia de reserva, não a conta inteira. Como a energia é só uma parte da fatura — uso da rede, encargos e tributos continuam —, a economia sobre a conta total tende a ser menor que o percentual sobre o preço da energia. Isso não significa que 35% seja mentira. Significa que é a ponta superior de uma faixa, não a média.

O que a Projeção ELB mostra sobre os 35%

A Projeção ELB calcula a economia na parcela de energia a partir da TE de cada distribuidora, do preço de longo prazo do Boletim da Abraceel e do perfil de consumo da empresa. Nas distribuidoras de tarifa intermediária (do 1º ao 3º quartil da TE do Grupo A), ela chega a até 32%, conforme o perfil. É um teto: a economia de cada empresa fica nele ou abaixo dele.

35% ou mais na parcela de energia só aparece em 8 das 42 distribuidoras da base: Amazonas Energia (42%), Equatorial Pará (41%), CEA Equatorial Amapá (40%), Equatorial Maranhão (39%), Roraima Energia (38%), Energisa Acre (37%), Energisa Paraíba (35%) e Energisa Tocantins (35%). São as de tarifa mais alta, e o número vale para o perfil de consumo mais favorável, com o custo médio de bandeira dos últimos meses. Onde a tarifa é baixa, a economia fica bem menor: naCOCEL, a de tarifa mais baixa da base, a projeção não passa de 2%. Para ver onde a sua distribuidora fica nessa escala, consulte as tarifas de energia por estado.

As variáveis que determinam sua faixa real

1. Setor e perfil de consumo

Na projeção, o perfil pesa de duas formas: quanto do consumo cai no horário de ponta, quando a tarifa regulada é mais cara, e quanto o preço no mercado livre sobe para cobrir uma carga irregular. Os tetos por perfil, na parcela de energia (estimativas, não medições de empresas migradas):

  • Comércio estendido (10h–22h, 7 dias): até 32% — supermercados, atacarejos, shoppings, home centers, postos, padarias, parques indoor.
  • Tarde e noite (consumo irregular, eventos): até 32% — teatros, cinemas, espaços de eventos, centros de convenções, clubes, academias, igrejas, condomínios.
  • Indústria em turnos (2–3 turnos, 6 dias): até 31% — indústrias em geral, metalurgia, alimentos e bebidas, têxtil, automotivo, CDs e galpões, lavanderias.
  • Operação contínua (24h, 7 dias): até 30% — siderurgia, química, papel e celulose, cerâmica, usinas, frigoríficos, mineração, data centers, hospitais, hotéis, saneamento, telecom.
  • Horário comercial (8h–18h, 5–6 dias): até 25% — escritórios e prédios comerciais, escolas, call centers, concessionárias, transportadoras, comércio de rua.

Veja o detalhamento completo em Mercado Livre de Energia para empresas.

2. Distribuidora e estado atuais

A tarifa cobrada pela distribuidora varia significativamente entre estados e concessionárias — o que muda o ponto de partida da comparação. Uma empresa numa área com tarifa de distribuidora já relativamente competitiva tem menos espaço de economia percentual do que uma empresa numa área de tarifa alta, mesmo com o mesmo perfil de consumo.

3. Momento da contratação

O preço de longo prazo negociado no Mercado Livre acompanha, ainda que de forma mais estável, as condições do mercado no momento da contratação. Períodos de PLD baixo tendem a produzir contratos mais vantajosos; períodos de PLD alto ou volatilidade elevada podem reduzir a margem de economia disponível — ou até torná-la temporariamente menos atrativa.

4. Data da migração: o fim do desconto na TUSD

Até novembro de 2025, quem comprava energia de fonte incentivada (solar, eólica, biomassa, PCH) no mercado livre tinha, além do preço da energia, desconto no uso da rede (TUSD), tanto na demanda quanto no consumo. A Lei 15.269/2025, em vigor desde 25 de novembro de 2025, acabou com esse desconto para quem migra a partir dessa data: a redução deixa de valer do lado do consumidor, demanda incluída (Lei 9.427/1996, art. 26, §14). Quem já estava no mercado livre mantém a redução sobre o montante de uso já contratado, mas não sobre ampliações. Comparações e simulações que ainda mostram desconto na demanda ou na TUSD não valem para quem migra agora. Veja como TUSD e TE se dividem na conta.

A única forma de saber a faixa real da sua empresa é uma análise individualizada da conta de energia. A análise gratuita da Lead Energy considera esses fatores combinados.

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Quando 35% (ou perto disso) é realista

A combinação que mais se aproxima do teto: distribuidora de TE alta (as listadas acima), perfil de consumo mais favorável na projeção — hoje, comércio estendido (10h–22h, 7 dias) — e contratação em momento de preço de longo prazo favorável. Quando esses fatores se alinham, a projeção chega a 35% na parcela de energia. Sobre a conta inteira, o percentual é menor, porque TUSD, encargos e impostos continuam: num cliente do Grupo A em que a energia responde por cerca de 40% da fatura, 35% na parcela de energia significam até uns 14% na conta total.

Quando a economia é bem menor — ou o MLE não compensa

O inverso também é verdade e vale ser dito com a mesma clareza: empresas com consumo baixo, perfil já eficiente, tarifa de distribuidora competitiva ou contratos mal estruturados no Mercado Livre podem ficar muito abaixo do teto na parcela de energia — ou, em cenários específicos, constatar que a migração não compensa no momento. Isso está detalhado, sem meias palavras, em quando o Mercado Livre deixa de compensar e em os riscos do MLE que ninguém conta.

Perguntas frequentes

Toda empresa consegue economizar até 35% migrando para o Mercado Livre?

Não. Pela Projeção ELB, 35% ou mais na parcela de energia só aparece em 8 das 42 distribuidoras da base — as de tarifa mais alta — e no perfil de consumo mais favorável. A economia média estimada no preço da energia, segundo o Boletim da Energia Livre (Abraceel), ficou em 23% em julho de 2026 — e esse número compara a tarifa média de energia das distribuidoras com o preço de longo prazo no mercado livre, não a conta inteira. Onde a tarifa da distribuidora é baixa ou o perfil de consumo é desfavorável, a projeção fica bem abaixo desse teto — e a migração pode não compensar.

Por que a mesma promessa de 'até 35%' aparece em quase todos os anúncios do setor?

Porque tecnicamente pode ser verdade — 35% aparece na projeção para as distribuidoras de tarifa mais alta. O problema não é o número, é a falta de contexto: qual perfil de consumo e qual distribuidora atingem esse teto, e que ele vale para a parcela de energia, não para a conta inteira. Um anúncio que promete '35%' sem explicar essas variáveis está sendo tecnicamente honesto e comercialmente enganoso ao mesmo tempo — porque cria uma expectativa que só se aplica a uma fração das empresas.

Como sei em qual faixa de economia minha empresa se encaixa?

As variáveis que mais pesam são: (1) o perfil de consumo — quanto da energia é consumida no horário de ponta, quando a tarifa regulada é mais cara, e quão regular é a carga; (2) a distribuidora e o estado atuais — tarifas de distribuidora variam significativamente entre regiões; (3) o momento da contratação — o preço de longo prazo do Mercado Livre varia com o PLD vigente; e (4) a data da migração — quem migra a partir de 25/11/2025 não tem mais desconto no uso da rede (TUSD), nem na demanda, por comprar energia incentivada. A única forma de saber a faixa real é uma análise individualizada da conta de energia.

Veja também: o Panorama do MLE no Brasil com dados atualizados, os tetos de economia por perfil e quando o Mercado Livre deixa de compensar.


Fontes e Referências

  • Abraceel — Boletim da Energia Livre, 97ª edição (setembro de 2026), dados de julho de 2026. Economia média estimada de 23% no preço da energia do Mercado Livre em relação ao mercado regulado (tarifa média de energia das distribuidoras de R$ 325/MWh × preço de longo prazo de R$ 251/MWh). abraceel.com.br/boletim ↗
  • Projeção ELB — economia estimada na parcela de energia por perfil de consumo e por distribuidora, calculada com a TE do Grupo A das 42 distribuidoras da base e o Boletim da Abraceel (não são medições de empresas migradas). Metodologia na página Mercado Livre de Energia para empresas.
  • Lei nº 15.269/2025 — inclui o §14 no art. 26 da Lei 9.427/1996: veda a redução nas tarifas de uso da rede (TUSD/TUST) de fonte incentivada com incidência na parcela consumo para consumidores que migrarem a partir da vigência da lei (25/11/2025); quem já era livre a mantém sobre o montante de uso já contratado, sem ampliações. planalto.gov.br

Nota sobre os dados

Os percentuais apresentados nesta página são tetos estimados pela Projeção ELB por perfil de consumo e por distribuidora, para a parcela de energia. Não constituem promessa de economia para nenhuma empresa específica — o percentual real depende de uma análise individualizada da conta de energia, do contrato negociado e das condições de mercado no momento da contratação. Parte das tarifas da base, inclusive as de distribuidoras do Norte e do Nordeste com tarifa mais alta, ainda é estimada e está em conferência com as Resoluções Homologatórias da ANEEL; quando a tarifa confirmada mudar, os percentuais desta página são recalculados.

Conteúdo revisado em outubro de 2026.

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