Conta de luz mais barata para Calçados: do pesponto ao curtume
A fábrica de calçados gasta energia em injetoras de solado, prensas de corte, esteiras de montagem, estufas e no galpão climatizado do pesponto. O curtume que fornece o couro soma fulões, bombas e uma estação de tratamento de efluentes ligada 24 horas. Metade das unidades da cadeia no Grupo A já está no Mercado Livre de Energia; a outra metade paga a tarifa regulada.
Analisar Minha Conta Grátis →Onde a fábrica de calçados gasta energia
- Corte: balancins e prensas de corte, e máquinas de corte automático nas fábricas maiores.
- Pesponto: dezenas de máquinas de costura, iluminação forte e a climatização do galpão onde fica a maior parte da equipe.
- Solados e componentes: injetoras de PVC, PU, TR e EVA aquecem cilindros e moldes e acionam sistemas hidráulicos. Em fábrica que injeta o próprio solado, costumam ser a maior carga.
- Montagem e acabamento: esteiras, máquinas de montar, fornos de reativação de cola e estufas de secagem.
- Ar comprimido: compressores que alimentam ferramentas pneumáticas na linha inteira.
No levantamento do Energia Livre Brasil na base que as distribuidoras entregam à ANEEL (BDGD), a unidade típica de calçados e couro que ainda está no mercado regulado consome cerca de 9,7 MWh por mês, com metade delas entre 4,2 e 19,5 MWh, e tem demanda mediana de 70 kW.
O curtume: carga contínua
No curtume, o couro passa horas girando em fulões com água e produtos químicos, depois por máquinas de enxugar, rebaixar, estirar e secar. A estação de tratamento de efluentes, com bombas e aeradores, não desliga. É um consumo que pouco varia ao longo do dia, o perfil que um contrato de longo prazo no mercado livre atende melhor. Por isso o curtume migrou antes: das 264 unidades de curtume no Grupo A, 157 já estão no mercado livre e 89 seguem no regulado.
O que a base da ANEEL mostra sobre calçados e couro
A BDGD de 2025 registra 1.504 unidades consumidoras de calçados, artefatos de couro e curtumes no Grupo A, em 348 municípios. Metade já está no mercado livre, e essas unidades respondem por 84% do consumo do setor.
- Fábricas de calçados: 948 unidades, das quais 482 seguem no mercado regulado.
- Partes de calçados: 215 unidades de solados, palmilhas e cabedais, 115 no mercado regulado.
- Curtumes e artefatos de couro: 340 unidades, 134 no mercado regulado.
- Porte: 717 das 731 unidades que seguem no mercado regulado têm demanda abaixo de 500 kW. Em 2025, 132 migraram.
Os polos calçadistas
O Brasil produziu 929,5 milhões de pares em 2024, segundo a Abicalçados, com Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba à frente. Na base da ANEEL, porém, a oportunidade se concentra em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. O maior polo no mercado regulado é Nova Serrana (MG), com 157 unidades de calçados e componentes ainda cativas e 93 livres. Franca (SP) vem em seguida, com 95 no mercado regulado, e São João Batista (SC) tem 21. No Vale dos Sinos é o contrário: em Sapiranga, Três Coroas, Igrejinha e Estância Velha, cidade de curtumes, a maior parte das fábricas já migrou.
O que reduzir na conta, com ou sem migração
- Horário de ponta: fábrica que encerra o turno antes do horário de ponta quase não consome nele e costuma ganhar com a modalidade verde. Veja modalidade tarifária.
- Demanda contratada: injetoras partindo juntas no início do turno geram picos. Escalonar a partida e revisar a demanda evita pagar ultrapassagem. Veja demanda contratada.
- Energia reativa: motores de injetoras, compressores e fulões derrubam o fator de potência. Veja energia reativa.
- Bandeiras: uma fábrica que consome 10.000 kWh por mês paga R$788 a mais em um mês de bandeira vermelha 2.
Energia renovável e as exigências das marcas
Marcas e varejistas que compram de fábricas brasileiras pedem rastreabilidade do couro, dos componentes e da energia. No mercado livre, a fábrica e o curtume podem contratar energia de fonte renovável com certificado I-REC, que comprova a origem para auditorias e relatórios de sustentabilidade.
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Analisar minha conta →Continuidade da produção
A migração não exige obra elétrica nem troca de máquina além de uma eventual adequação do medidor. A distribuidora continua responsável pela rede e pela entrega da energia na fábrica; o que muda é quem vende a energia e o preço pago por ela. Injetoras, fulões e a estação de efluentes seguem com a mesma tensão e a mesma qualidade de fornecimento.
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Perguntas frequentes
Fábrica de calçados pequena pode migrar para o Mercado Livre de Energia?
Pode, se a fábrica for atendida em média tensão (Grupo A). Desde janeiro de 2024 não há demanda mínima, e abaixo de 500 kW a migração é feita por um comercializador varejista. Na base da ANEEL, 717 das 731 unidades de calçados e couro que seguem no mercado regulado estão abaixo de 500 kW. A migração acontece 180 dias depois do aviso à distribuidora. Ateliês e bancas de pesponto em baixa tensão entram a partir de 25 de novembro de 2027.
Quanto a bandeira vermelha 2 pesa na conta de uma fábrica de calçados?
Uma fábrica que consome 10.000 kWh por mês, perto do consumo típico das unidades de calçados no mercado regulado, paga R$788 a mais em um mês de bandeira vermelha 2 (R$ 7,88/100 kWh). No mercado livre, a bandeira tarifária não incide sobre a energia contratada.
Curtume tem o mesmo perfil de consumo de uma fábrica de calçados?
Não. O curtume consome mais por unidade: fulões girando por horas, bombas, máquinas de enxugar, rebaixar e secar o couro e a estação de tratamento de efluentes, cuja aeração fica ligada dia e noite. Na base da ANEEL, 64% das unidades de curtume já estão no mercado livre, mais que nas fábricas de calçados. As que ficaram no mercado regulado têm carga contínua, o perfil que melhor aproveita um contrato de energia de longo prazo.
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Fontes e Referências
- * Projeção ELB: teto estimado de economia na parcela de energia da conta, calculado pelo Energia Livre Brasil com a tarifa média de energia das distribuidoras e o preço de longo prazo do mercado livre (Boletim da Energia Livre, Abraceel, julho de 2026) e as tarifas homologadas pela ANEEL. Nesta página: perfil indústria em turnos (2–3 turnos, 6 dias), em distribuidora de tarifa alta, com o custo médio de bandeira. Não inclui uso da rede (TUSD), encargos e impostos, e não é promessa de economia. Como calculamos →
- ANEEL — Base de Dados Geográfica da Distribuidora (BDGD) de 46 distribuidoras, posição de 31/12/2025, publicada em agosto de 2026: unidades consumidoras ativas do Grupo A das classes industrial, comercial e rural com CNAE 15 (curtumes, artefatos de couro, calçados e partes), em todo o país. Contagem, consumo, demanda e migrações calculados pelo Energia Livre Brasil; percentuais de livres sem a Copel, que não informa esse campo. dadosabertos-aneel.opendata.arcgis.com
- Abicalçados — produção de 929,5 milhões de pares em 2024 e participação dos estados na produção, divulgadas em maio de 2025 (reportagem da Mercado&Consumo, 27/05/2025). abicalcados.com.br
- ANEEL — Resolução Normativa 1.000/2021, critérios de elegibilidade, aviso prévio e acesso ao Mercado Livre de Energia. aneel.gov.br
Nota sobre os dados
O setor elétrico brasileiro é regulado por portarias, resoluções e normas em constante revisão. Tarifas, percentuais e estimativas apresentados neste conteúdo têm caráter de referência — não de valor absoluto. A BDGD conta unidades consumidoras (medidores), não empresas, e o setor sai do CNAE que a distribuidora registrou para cada unidade. Consulte sempre a análise gratuita e, quando necessário, um especialista regulatório.
Conteúdo revisado e atualizado em outubro de 2026.
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