Preço da energia no Mercado Livre: quanto custa o MWh e do que ele depende
Com dados de julho de 2026, o preço da energia no mercado livre em contratos de longo prazo estava em R$ 251/MWh, contra R$ 325/MWh de tarifa média de energia nas distribuidoras, segundo o Boletim da Energia Livre (Abraceel). Mas não existe um preço único do MWh: ele depende de prazo, volume, flexibilidade, submercado e fonte, e vale só para a parcela de energia da conta.
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Não existe tabela pública de preço para contratos no mercado livre: cada contrato é bilateral, e o preço fica entre a empresa e o fornecedor. A referência pública mais usada para responder quanto custa a energia no mercado livre é o Boletim da Energia Livre, publicado todo mês pela Abraceel. A 97ª edição, de setembro de 2026, traz os dados de julho de 2026:
Fonte: Abraceel — Boletim da Energia Livre, 97ª edição (set/2026), dados de jul/2026.
Leia esses números pelo que eles são. Do lado livre, é um preço médio de referência para contratos de longo prazo; o seu pode sair acima ou abaixo dele. Do lado regulado, é a média das distribuidoras do país, não a da sua. E os dois lados medem só a energia: TUSD, encargos setoriais e impostos ficam fora porque continuam na conta de qualquer forma. Os demais números do mercado estão no panorama do mercado livre de energia.
Existe tarifa de energia no mercado livre?
Para a energia, não. No mercado cativo, a distribuidora cobra a TE, uma tarifa definida pela ANEEL, mais a bandeira do mês. No mercado livre, essa parcela é substituída pelo preço negociado com o fornecedor, e as bandeiras tarifárias deixam de incidir sobre a energia comprada. O restante da conta continua regulado:
| Componente | No mercado cativo | No mercado livre |
|---|---|---|
| Energia | TE definida pela ANEEL, paga à distribuidora | Preço negociado em contrato, pago à comercializadora |
| Bandeiras tarifárias | Somadas à conta quando acionadas | Não incidem sobre a energia comprada no mercado livre |
| Uso da rede (TUSD) | Tarifa da ANEEL, paga à distribuidora | Continua igual, paga à distribuidora pelo CUSD |
| Encargos setoriais | Cobrados nas tarifas da distribuidora | Continuam na fatura da distribuidora |
| ICMS, PIS e COFINS | Sobre a conta da distribuidora | Sobre as duas faturas: distribuidora e comercializadora |
É por isso que quem migra passa a receber duas faturas e que a economia do mercado livre se mede na parcela de energia. A composição de cada parte está em TUSD e TE e em encargos no mercado livre de energia; a tributação, em impostos no mercado livre de energia e em ICMS na conta de luz da empresa.
Do que depende o preço do MWh no mercado livre
Duas empresas que compram energia no mesmo dia podem receber preços diferentes, e as duas propostas podem estar corretas. O preço do MWh é o valor da energia somado aos riscos que o vendedor assume ao entregá-la nas condições pedidas. Os fatores que mais pesam:
| Fator | Como mexe no preço |
|---|---|
| Prazo | Por quanto tempo o vendedor trava o preço. Longo dá previsibilidade, mas não é sinônimo de barato: depende da diferença entre curto e longo prazo na hora da compra. |
| Volume | Volumes pequenos carregam, por MWh, mais do custo de gestão da comercializadora. |
| Flexibilidade | Quanto mais o consumo pode variar sem custo extra, mais risco o vendedor assume — e cobra por isso. |
| Sazonalização e modulação | Energia concentrada em certos meses ou no fim da tarde, quando o curto prazo sobe, custa mais que energia em bloco constante. |
| Submercado | O preço muda entre as regiões quando há restrição de transmissão. Comprar num submercado e consumir em outro cria risco. |
| Fonte | Convencional ou incentivada. Para quem migra desde 25/11/2025, a incentivada não traz mais desconto na TUSD (Lei 15.269/2025). |
| Data de início | Suprimento que começa daqui a meses é precificado pela expectativa daquele período, não pelo preço de hoje. |
| Crédito e garantias | Balanço mais frágil ou garantias menores pagam prêmio de risco; garantias fortes podem melhorar o preço. |
| Índice de reajuste | IPCA, IGP-M ou preço sem correção mudam o custo ao longo do contrato. |
| Momento do mercado | Chuvas, reservatórios e expectativa de oferta mexem com o preço de longo prazo, que variou 42% em 12 meses (Abraceel). |
Preço fixo, indexado ao PLD ou híbrido
A modalidade de preço decide quanto da volatilidade do mercado fica com a empresa. No preço fixo, o R$/MWh é definido na assinatura e corrigido só pelo índice do contrato. No indexado, o preço acompanha o PLD, normalmente com um ágio ou deságio negociado. O híbrido combina uma parcela fixa com outra indexada.
A diferença de risco aparece nos números do Boletim da Energia Livre: nos 12 meses até julho de 2026, o PLD variou 260%, enquanto o preço de longo prazo variou 42%. Quem tem contrato fixo atravessa esse sobe e desce pagando o mesmo preço pela energia; quem está indexado sente cada movimento. O indexado pode sair mais barato com o curto prazo baixo, mas exige caixa para os meses de preço alto. A pergunta útil não é qual modalidade está mais barata hoje, e sim quanta variação o orçamento suporta. O comparativo está em contrato de preço fixo ou indexado ao PLD.
PLD: o preço da energia hoje no curto prazo
Quando alguém procura o preço da energia hoje, o número público mais próximo é o PLD — Preço de Liquidação das Diferenças. A CCEE calcula o PLD para cada hora e cada submercado, e ele serve para liquidar as diferenças entre o que cada agente contratou e o que efetivamente consumiu ou gerou. A média mensal de setembro de 2026 ficou assim:
| Submercado | PLD médio de setembro de 2026 |
|---|---|
| Sudeste/Centro-Oeste | R$ 125,78/MWh |
| Sul | R$ 123,74/MWh |
| Nordeste | R$ 125,15/MWh |
| Norte | R$ 125,66/MWh |
Para 2026, a ANEEL fixou o piso do PLD em R$ 57,31/MWh, o teto estrutural em R$ 785,27/MWh e o teto horário em R$ 1.611,04/MWh. A faixa é larga, e o preço de curto prazo anda por ela: neste ano, a média mensal no Sudeste/Centro-Oeste oscilou entre R$ 382,41/MWh, em fevereiro, e R$ 125,78/MWh, em setembro.
O PLD não é o preço do seu contrato. Ele entra na conta da empresa em três situações: em contratos indexados a ele, nas sobras e faltas de energia fora da flexibilidade contratada e quando a empresa fica sem contrato. Com preço fixo e consumo dentro da banda, o PLD do mês não muda a fatura da comercializadora. Como ele é calculado e onde consultar o valor horário estão em PLD de energia: o que é e como consultar.
Por quanto tempo as empresas contratam energia
O prazo é um dos fatores que mais mexem no preço, e o mercado usa todos os horizontes. Segundo o Boletim da Energia Livre, com dados de julho de 2026, o volume contratado no mercado livre se distribuía assim:
| Prazo do contrato | Participação no volume contratado |
|---|---|
| Até 6 meses | 7,8% |
| 6 meses a 2 anos | 26,1% |
| 2 a 4 anos | 18,9% |
| 4 a 10 anos | 26,6% |
| Acima de 10 anos | 20,6% |
Somadas as faixas, 33,9% do volume está em contratos de até 2 anos e 47,2% em contratos de 4 anos ou mais. Não há prazo certo: contratos curtos acompanham o mercado e obrigam a recontratar com mais frequência; contratos longos travam o preço por mais tempo, para o bem e para o mal. Empresas com volume maior às vezes escalonam contratos com prazos diferentes para não recontratar tudo de uma vez.
Do preço à economia: um exemplo com a média do mercado
Para dar escala aos números, compare o custo da energia nos dois mercados para uma empresa que consome 100 MWh por mês e que pague exatamente as duas médias do Boletim:
| Parcela de energia | Conta | Por mês |
|---|---|---|
| Mercado regulado (média das distribuidoras) | 100 MWh × R$ 325/MWh | R$ 32.500 |
| Mercado livre (preço de longo prazo) | 100 MWh × R$ 251/MWh | R$ 25.100 |
| Diferença | 23% da parcela de energia | R$ 7.400 |
Em 12 meses, a diferença chegaria a R$ 88.800. É um exemplo, não uma cotação: usa médias nacionais, considera só a energia e deixa de fora TUSD, encargos e impostos, além das condições do contrato (flexibilidade, garantias, custo de gestão). Na sua empresa, o ponto de partida é a tarifa da sua distribuidora, que pode estar acima ou abaixo da média. Por que a economia na conta total costuma ser menor está em até 35% de economia: quando é possível e quando não é; para simular com os números da sua conta, use a calculadora de conta de luz.
Como comparar o preço da energia entre propostas
O R$/MWh de uma proposta só é comparável com o de outra quando as duas precificam a mesma coisa. Antes de comparar, coloque todas na mesma base:
- Mesmo produto: volume, prazo, data de início, submercado e fonte iguais.
- Mesma modalidade: fixo com fixo, indexado com indexado — e, no indexado, compare o ágio ou deságio sobre o PLD.
- Mesma flexibilidade: banda maior vale dinheiro; uma proposta com banda estreita parece mais barata e transfere risco para a empresa.
- Mesmas garantias: o custo de uma fiança ou de um depósito entra na conta.
- Mesmo reajuste: projete o preço pelo índice de cada proposta ao longo de todo o prazo.
Feito isso, compare o custo total do contrato, não só o primeiro ano. O passo a passo da compra, de quem comprar e o que vai no contrato estão em como comprar energia no mercado livre; o método de comparação, em como comparar propostas de fornecedores de energia.
Não existe um preço único do MWh para a sua empresa. Envie a conta e compare o cenário atual com uma proposta de fornecimento.
Analisar minha conta →Perguntas frequentes
Quanto custa a energia no mercado livre de energia?
Pela referência do Boletim da Energia Livre (Abraceel), com dados de julho de 2026, o preço de longo prazo no mercado livre estava em R$ 251/MWh, contra uma tarifa média de energia de R$ 325/MWh nas distribuidoras — diferença de 23%. É média de mercado e só da parcela de energia: o preço da sua empresa sai de uma proposta, e TUSD, encargos e impostos continuam na conta.
Qual o preço do MWh no mercado livre hoje?
Não há um preço único do MWh para contratos, que são bilaterais. O que é público é o PLD, preço de curto prazo calculado pela CCEE: a média de setembro de 2026 no Sudeste/Centro-Oeste foi de R$ 125,78/MWh. Para contratos de longo prazo, a referência é o Boletim da Abraceel: R$ 251/MWh, com dados de julho de 2026.
O preço da energia no mercado livre é o PLD?
Não. O PLD é o preço de curto prazo usado para liquidar, na CCEE, as diferenças entre o contratado e o consumido. A empresa paga o preço do contrato com o fornecedor; o PLD só entra direto na conta em contratos indexados a ele, nas sobras e faltas fora da flexibilidade e quando a empresa fica sem contrato.
Existe tarifa de energia no mercado livre?
Para a energia, não: ela passa a ter preço negociado em contrato, e as bandeiras tarifárias deixam de incidir sobre ela. Continuam tarifados pela ANEEL o uso da rede (TUSD, paga à distribuidora pelo CUSD) e os encargos setoriais; ICMS, PIS e COFINS continuam incidindo.
Por que o preço muda de uma proposta para outra?
Porque cada uma precifica riscos diferentes: prazo, data de início, volume, flexibilidade, sazonalização e modulação, submercado, fonte, reajuste e garantias. A mais barata pode estar transferindo risco para a empresa, com banda menor ou exposição ao PLD. Peça todas na mesma base e compare o custo total do contrato.
Fontes e Referências
- Abraceel — Boletim da Energia Livre, 97ª edição (set/2026), dados de jul/2026: preço de longo prazo, tarifa média das distribuidoras, economia média, volatilidade e duração dos contratos. abraceel.com.br ↗
- CCEE — PLD médio mensal por submercado (Dados Abertos). dadosabertos.ccee.org.br ↗
- ANEEL — limites do PLD para 2026 (piso, teto estrutural e teto horário) e estrutura tarifária das distribuidoras (TE, TUSD e encargos setoriais). aneel.gov.br
- Lei nº 15.269/2025: fim do desconto na TUSD de fonte incentivada para quem migra a partir de 25/11/2025. planalto.gov.br
Nota sobre os dados
Os preços desta página são médias de mercado e valores de referência publicados pela Abraceel e pela CCEE — não são cotação. O exemplo de cálculo usa um volume hipotético e considera só a parcela de energia. Tarifa da distribuidora, perfil de consumo, condições do contrato e momento da compra mudam o resultado de cada empresa. Consulte sempre a análise gratuita e, quando necessário, um especialista regulatório.
Conteúdo revisado e atualizado em outubro de 2026.
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