Como comprar energia no Mercado Livre de Energia
Comprar energia no mercado livre é escolher o fornecedor e fixar, em contrato, quanto de energia a empresa compra, a que preço por MWh e por quanto tempo. Este guia mostra quem já pode comprar, de quem comprar, o que vai no contrato, como comparar propostas e o que de fato baixa o preço — sem esconder os riscos.
Analisar Minha Conta Grátis →Quem pode comprar energia no mercado livre hoje
Desde janeiro de 2024, qualquer unidade consumidora do Grupo A — atendida em tensão igual ou superior a 2,3 kV — pode comprar no mercado livre, com qualquer demanda contratada (Portaria Normativa MME nº 50/2022). São cerca de 200 mil unidades de média e alta tensão no país. Os critérios e como conferi-los na fatura estão em quem pode migrar para o mercado livre.
Abaixo de 500 kW, a compra passa obrigatoriamente por uma comercializadora varejista, que representa a empresa na CCEE; a partir desse porte, a empresa pode escolher entre a varejista e operar ela mesma como agente. Das 85.525 unidades no mercado livre, 38.924 (46%) são representadas por varejistas, segundo o Boletim da Energia Livre (Abraceel), com dados de julho de 2026.
Comércios e indústrias em baixa tensão (subgrupo B3) entram em 25 de novembro de 2027; residências e demais consumidores, em 25 de novembro de 2028. As datas estão na Lei 15.269/2025 e no Decreto 13.097/2026, mas a regulação da ANEEL para a baixa tensão ainda está pendente. Veja o que muda para o Grupo B3 e o mercado livre para pessoa física.
De quem comprar: os fornecedores de energia no mercado livre
No mercado livre, o fornecedor de energia deixa de ser a distribuidora da região. A empresa compra de quem escolher, em contrato bilateral registrado na CCEE — e o caminho depende do porte e de quanta gestão ela quer assumir:
| Obrigatória abaixo de 500 kWComercializadora varejistaa empresa é representada | Comercializadora, com a empresa como agentemodelo atacadista | Geradora, diretocontrato bilateral com a usina | |
|---|---|---|---|
| Quem pode | Qualquer unidade do Grupo A | Em regra, a partir de 500 kW | Empresa que opere como agente da CCEE |
| Agente da CCEE | A varejista — a empresa não é agente | A própria empresa | A própria empresa |
| Registro, garantias e liquidação | Por conta da varejista | Por conta da empresa | Por conta da empresa |
| Faz sentido para | Quem quer comprar sem montar estrutura de gestão de energia | Consumidores maiores, com gestão de energia própria | Grandes consumidores, com volumes altos e contratos longos |
Base: Portaria Normativa MME nº 50/2022 e regras de comercialização da CCEE.
A diferença entre varejista e atacadista não está na energia, e sim em quem responde perante a CCEE; o comparativo completo está em atacadista ou varejista no mercado livre. Há ainda a autoprodução — investir, sozinho ou em sociedade, numa usina para consumo próprio —, que é decisão de investimento, com outra lógica de capital e risco.
Escolher o fornecedor pesa tanto quanto o preço: ele será sua contraparte por anos. Os critérios estão em como escolher uma comercializadora de energia, e os principais grupos do setor, em empresas de energia no Brasil.
O que você compra: o contrato de energia elétrica
Na compra de energia elétrica no mercado livre, o produto é o contrato. Duas propostas com o mesmo R$/MWh podem custar bem diferente se mudarem o volume, a flexibilidade ou as garantias:
| Item do contrato | O que define e o que observar |
|---|---|
| Volume | Quanto a empresa compra, em MWh por mês ou em MWmédio (num mês de 30 dias, 1 MWmédio equivale a 720 MWh). Sai do histórico das faturas. |
| Preço (R$/MWh) | Fixo, indexado ao PLD ou híbrido. É o número em destaque na proposta, mas só se compara quando o resto é igual. |
| Prazo e início do suprimento | Por quanto tempo e a partir de quando a energia é entregue. O início precisa coincidir com a data de migração. |
| Flexibilidade | Quanto o consumo pode variar sobre o volume contratado sem custo extra. Fora da banda, a diferença é liquidada ao PLD ou cobrada conforme o contrato. |
| Sazonalização | Como o volume anual se distribui entre os meses — pesa para quem tem safra, alta temporada ou paradas. |
| Modulação | Como o volume se distribui ao longo do dia: em bloco constante ou seguindo a curva de carga. Energia concentrada no fim da tarde custa mais. |
| Submercado | Onde a energia é entregue (Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste ou Norte). Se diferir de onde a empresa consome, a diferença de preço entre regiões vira risco. |
| Fonte | Convencional ou incentivada (solar, eólica, biomassa, PCH). Para quem migra a partir de 25/11/2025, a incentivada não traz mais desconto na TUSD (Lei 15.269/2025). |
| Índice de reajuste | IPCA, IGP-M ou outro, com a data-base da correção. |
| Garantias | O que o vendedor exige para cobrir o risco de crédito: fiança bancária, seguro-garantia ou depósito. Pesa no caixa e no preço. |
| Rescisão | Multa e regras de saída antecipada — quanto custa sair se o contrato deixar de fazer sentido. |
O que negociar em cada cláusula está em contrato de energia no mercado livre; as diferenças entre preço fixo, indexado e misto, em modalidades de contrato.
Passo a passo da compra de energia elétrica
Do lado de quem compra, a contratação cabe em oito etapas. O rito regulatório está detalhado em migração para o mercado livre de energia; aqui fica o resumo.
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01Levantar as faturas
Os últimos 12 meses de cada unidade mostram subgrupo, demanda contratada e consumo por posto horário: a base para confirmar a elegibilidade e definir o volume.
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02Definir o modelo de compra
Varejista (obrigatória abaixo de 500 kW) ou adesão à CCEE como agente.
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03Pedir propostas na mesma base
Mesmo volume, prazo, data de início, flexibilidade, submercado e fonte para todos os fornecedores.
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04Verificar o fornecedor e negociar
Situação na CCEE e solidez da comercializadora primeiro; depois reajuste, flexibilidade, garantias e multa.
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05Denunciar o contrato com a distribuidora180 dias até a migração
Comunicar à distribuidora a denúncia do contrato de compra de energia regulada (CCER). A migração ocorre 180 dias depois, e a distribuidora pode aceitar prazo menor; a negociação pode correr dentro dessa janela.
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06Representação ou adesão e mediçãodentro da janela
A varejista formaliza a representação (ou a empresa adere à CCEE) e o sistema de medição para faturamento é adequado, se necessário.
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07Início do suprimentodata da migração
A energia passa a vir do contrato livre. A empresa segue ligada à distribuidora pelo CUSD e continua pagando a TUSD.
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08Primeiras faturas
Uma da comercializadora, pela energia, e outra da distribuidora, pela rede, encargos e tributos. Confira as duas contra o contrato.
Prazo do Grupo A: REN ANEEL 1.000/2021, art. 133, §4º, II (redação da REN 1.081/2023). Na baixa tensão, a partir de 2027, a comunicação prevista é de pelo menos 90 dias (Decreto 13.097/2026, art. 3º).
A compra começa pela fatura. Com as contas da sua unidade, a análise gratuita mostra se ela já pode comprar no mercado livre, que volume contratar e quanto a parcela de energia pode cair.
Analisar minha conta →Como comparar propostas de compra de energia
O R$/MWh em destaque só diz algo quando volume, prazo, início, flexibilidade, submercado e fonte são os mesmos em todas as propostas — e o custo final ainda depende de cláusulas que costumam vir no fim do documento. Confira em cada uma:
- Preço em base igual e a modalidade: fixo, indexado ou híbrido.
- Flexibilidade: a banda sem custo extra e o que acontece fora dela.
- Reajuste: índice, data-base e se há teto.
- Multa rescisória: proporcional ao prazo restante ou sobre o contrato inteiro.
- Garantias exigidas: tipo e valor — uma garantia pesada consome parte da economia no caixa.
- Quem paga o quê: o que está dentro do preço e o que vem à parte (taxa de gestão ou representação, custos cobrados via CCEE, impostos).
- Validade: propostas valem pouco tempo porque o mercado se move, mas prazo curto demais para comparar é pressão.
O método completo está em como comparar propostas de fornecedores de energia; o que dá para negociar, em como negociar o contrato de energia.
Quanto custa: a referência de preço do mercado
A referência pública mais usada é o Boletim da Energia Livre, da Abraceel. Com dados de julho de 2026, o preço de longo prazo no mercado livre estava em R$ 251/MWh, contra uma tarifa média de energia de R$ 325/MWh nas distribuidoras — valor que inclui os encargos de serviços do sistema e de energia de reserva. A diferença, de 23%, é a economia média estimada pelo boletim.
É média nacional e só da parcela de energia: TUSD, encargos setoriais e impostos continuam, e as bandeiras deixam de incidir sobre a energia comprada. Por isso, a redução na conta total tende a ser menor que a diferença no preço. Como o preço do MWh se forma e um exemplo de cálculo estão em preço da energia no mercado livre.
Como comprar energia mais barata sem comprar risco
Há formas legítimas de baixar o preço:
- Prazo bem escolhido. Contrato longo dá previsibilidade, mas não é automaticamente mais barato. Com o curto prazo em baixa — PLD médio de R$ 125,78/MWh no Sudeste/Centro-Oeste em setembro de 2026 —, um contrato curto pode sair por menos, com o risco de recontratar mais caro depois.
- Perfil de consumo. Consumo constante é mais barato de atender que consumo concentrado no fim da tarde, quando o preço de curto prazo sobe. Aceitar energia em bloco ou deslocar carga tende a melhorar o preço.
- Momento da compra. O preço de longo prazo variou 42% em 12 meses (Abraceel). Cotar com antecedência e não fechar sob pressão faz diferença.
- Flexibilidade na medida. Cada ponto de banda tem custo: contrate a que o histórico justifica.
- Fonte. A incentivada era vantajosa sobretudo pelo desconto na TUSD, que não vale para quem migra desde 25/11/2025; agora a comparação é só de preço.
E sinais de que o preço baixo vai sair caro:
- Preço muito abaixo das outras propostas na mesma base — pode indicar posição descoberta ou empresa subcapitalizada.
- Comercializadora sem lastro ou sem histórico, que não diz de onde vem a energia ou tem pendências na CCEE.
- Contrato sem garantias claras, com multa desproporcional ou reajuste vago.
- Exposição ao PLD escondida: preço indexado ou banda estreita vendidos como preço fixo.
O descredenciamento de comercializadoras em 2025 e 2026 mostrou que o risco é concreto: o fornecimento físico não para, mas a empresa pode ter de recontratar energia a preço de mercado. Antes de assinar, veja como verificar a reputação de uma comercializadora e o que fazer se a comercializadora falir. E lembre que voltar ao mercado cativo exige aviso prévio de 5 anos à distribuidora, que pode aceitar prazo menor.
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Analisar minha conta →Perguntas frequentes
Como comprar energia no mercado livre?
Confirme pela fatura que a unidade é do Grupo A, escolha o modelo (representação por uma comercializadora varejista ou adesão à CCEE como agente), peça propostas na mesma base, verifique o fornecedor, assine o contrato e denuncie o contrato de energia regulada (CCER) com a distribuidora. A migração ocorre 180 dias após a denúncia; a distribuidora pode aceitar prazo menor.
Quem pode comprar energia no mercado livre de energia?
Hoje, qualquer unidade do Grupo A (tensão igual ou superior a 2,3 kV), com qualquer demanda, desde janeiro de 2024. Abaixo de 500 kW, a compra passa obrigatoriamente por uma comercializadora varejista. A baixa tensão comercial e industrial entra em 25 de novembro de 2027, e residências em 25 de novembro de 2028, ainda sem a regulação da ANEEL.
Posso comprar energia direto de uma geradora?
Pode, se a empresa operar como agente da CCEE (modelo atacadista, em regra a partir de 500 kW): o contrato com a geradora é registrado na CCEE, e a empresa assume garantias e liquidação. Geradoras costumam negociar direto com grandes consumidores, em volumes altos e prazos longos. Quem é representado por varejista compra da varejista.
Qual o prazo de um contrato de compra de energia?
É negociado. Pelo Boletim da Energia Livre (Abraceel), com dados de julho de 2026, 33,9% do volume contratado estava em contratos de até 2 anos e 47,2% em contratos de 4 anos ou mais. Prazo longo dá previsibilidade, mas não é automaticamente mais barato.
Comprar energia no mercado livre sempre sai mais barato?
Não. Na média, o preço de longo prazo ficou 23% abaixo da tarifa média de energia das distribuidoras (Abraceel, julho de 2026), mas só na parcela de energia: TUSD, encargos e impostos continuam. O resultado depende da distribuidora, do perfil de consumo, do contrato e do momento da compra — e voltar ao cativo exige aviso prévio de 5 anos.
Fontes e Referências
- MME — Portaria Normativa nº 50/2022: abertura do mercado livre a todo o Grupo A, com representação obrigatória por comercializador varejista abaixo de 500 kW. gov.br/mme
- Lei nº 15.269/2025 e Decreto nº 13.097/2026: abertura da baixa tensão (2027 e 2028) e comunicação de 90 dias à distribuidora; a Lei 15.269/2025 também encerra o desconto na TUSD de fonte incentivada para quem migra a partir de 25/11/2025. planalto.gov.br
- ANEEL — REN 1.000/2021, art. 133, §4º, II (redação da REN 1.081/2023): migração 180 dias após a denúncia do CCER; a distribuidora pode aceitar prazo menor. aneel.gov.br
- Lei nº 9.074/1995, art. 15, §8º: aviso prévio para o retorno ao mercado regulado. planalto.gov.br
- CCEE — lista de agentes e de comercializadores varejistas habilitados; PLD médio mensal por submercado. ccee.org.br
- Abraceel — Boletim da Energia Livre, 97ª edição (set/2026), dados de jul/2026: consumidores livres e varejistas, preços de referência, volatilidade e duração dos contratos. abraceel.com.br ↗
Nota sobre os dados
O setor elétrico brasileiro é regulado por portarias, resoluções e normas em constante revisão. Preços e percentuais do Boletim da Energia Livre são médias de mercado para a parcela de energia — não são cotação nem promessa de economia. Condições de contrato, distribuidora e perfil de consumo mudam o resultado de cada empresa. Consulte sempre a análise gratuita e, quando necessário, um especialista regulatório.
Conteúdo revisado e atualizado em outubro de 2026.
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