Mercado livre x mercado cativo de energia: a diferença entre ACL e ACR
No Brasil, a energia elétrica é comprada em dois ambientes: o mercado cativo, ou regulado (ACR), em que a distribuidora vende pela tarifa da ANEEL, e o mercado livre (ACL), em que a empresa escolhe o fornecedor e negocia o preço. A rede é a mesma nos dois. Muda quem vende a energia, como o preço é formado e o que a empresa precisa administrar.
Analisar Minha Conta Grátis →Mercado cativo (ACR): onde a maioria das empresas ainda está
No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), chamado de mercado cativo ou mercado regulado, a empresa compra energia da distribuidora da sua região: Cemig, Enel, CPFL, Copel, Neoenergia e as demais. A distribuidora compra essa energia em leilões e repassa o custo na tarifa, que a ANEEL homologa e reajusta todo ano. Nos meses de geração mais cara, a bandeira tarifária soma um valor extra a cada 100 kWh. O consumidor cativo não negocia preço, prazo nem fonte: recebe a fatura e paga.
A vantagem é a simplicidade: uma fatura, nenhum contrato para gerir. Para todo consumidor em baixa tensão, o mercado cativo ainda é o único caminho até a abertura de 25 de novembro de 2027.
Mercado livre (ACL): onde a empresa negocia
No Ambiente de Contratação Livre (ACL), o mercado livre de energia, a empresa compra de uma comercializadora ou geradora, por um contrato que define preço, prazo, volume, flexibilidade e fonte. O contrato é registrado na CCEE, e a distribuidora continua entregando a energia pela mesma rede e cobrando pelo uso do fio. O consumidor livre troca a tarifa de energia regulada pelo preço do contrato, e é nessa parcela da conta que está a economia possível.
Segundo o Boletim da Energia Livre da Abraceel, com dados de julho de 2026, o preço de longo prazo no mercado livre estava em R$ 251/MWh, contra R$ 325/MWh de tarifa média de energia nas distribuidoras: uma economia média de 23% na parcela de energia. Pela Projeção ELB*, o teto chega a até 35% nas distribuidoras de tarifa mais alta e no perfil de consumo mais favorável. Como o mercado funciona por dentro está em como funciona o mercado livre de energia.
Comparativo: mercado livre x mercado cativo
| Critério | Mercado cativo (ACR) | Mercado livre (ACL) |
|---|---|---|
| Quem define o preço da energia | A ANEEL, na tarifa da distribuidora, com reajuste anual | A negociação entre a empresa e a comercializadora ou geradora |
| Escolha do fornecedor | Não há: é a distribuidora da área de concessão | Livre, entre comercializadoras e geradoras habilitadas na CCEE |
| Bandeiras tarifárias | Somadas à conta quando acionadas | Não incidem sobre a energia comprada no mercado livre |
| Horário de ponta | Energia mais cara nas três horas de ponta, nas modalidades horárias do Grupo A | Preço da energia em geral igual a qualquer hora; a TUSD de ponta continua na conta da distribuidora |
| Prazo | Indeterminado, enquanto vigorar o contrato com a distribuidora | Negociado: de poucos meses a mais de 10 anos (20,6% do volume acima de 10 anos, Abraceel) |
| Fonte da energia | O mix comprado pela distribuidora em leilões | Escolhida em contrato; pode ser renovável com certificado I-REC |
| Rede e atendimento de emergência | Distribuidora | Distribuidora, exatamente como antes |
| Faturas | Uma, da distribuidora | Duas: distribuidora (rede, demanda, encargos e impostos) e fornecedor (energia) |
| Quem pode estar | Todos os consumidores | Grupo A, com qualquer demanda, desde janeiro de 2024; baixa tensão a partir de 25 de novembro de 2027 |
| Gestão | Baixa: pagar a fatura | Maior: contrato, volume, flexibilidade e conferência de duas faturas |
| Saída | Migração 180 dias após a denúncia do contrato com a distribuidora | Volta ao cativo com aviso prévio de 5 anos à distribuidora |
Consumidor livre e consumidor cativo: quem é quem
Consumidor cativo é toda unidade que compra energia da distribuidora. É o caso de todas as residências e pequenos negócios em baixa tensão e da maior parte das empresas do Grupo A que ainda não migraram. Consumidor livre é a unidade que compra no ACL. Ela pode fazer isso de dois jeitos: aderindo à CCEE como agente, o que é possível a partir de 500 kW de demanda, ou sendo representada por um comercializador varejista, o caminho obrigatório abaixo de 500 kW. Segundo a Abraceel, 46% dos 85.525 consumidores livres já compram por um varejista. A diferença entre os dois modelos está em atacadista vs. varejista.
Como fica a conta: uma fatura no cativo, duas no livre
- Fatura da distribuidora: continua existindo. Cobra a TUSD, a demanda contratada, os encargos setoriais, como CDE e Proinfa, e os impostos sobre esses itens. A bandeira deixa de aparecer, porque a energia não é mais comprada da distribuidora.
- Fatura do fornecedor: nova. Cobra a energia ao preço do contrato, com ICMS, PIS e Cofins. Alguns varejistas consolidam as duas cobranças.
Para comparar o antes e o depois, é preciso somar as duas faturas. Como conferir cada uma está em as duas faturas do mercado livre, e o que continua sendo cobrado, em encargos no mercado livre.
Sua empresa ainda está no mercado cativo? A análise gratuita mostra se a unidade já pode migrar e quanto a parcela de energia pesa na conta.
Analisar minha conta →Quando o mercado cativo ainda é a melhor opção
Migrar não é vantagem automática. O mercado cativo continua fazendo mais sentido quando:
- A unidade está em baixa tensão: ainda não pode migrar. Comércio e indústria entram em 25 de novembro de 2027; residências, em 25 de novembro de 2028. Veja o que muda para o Grupo B3.
- O consumo varia muito e ninguém vai acompanhar o contrato: o que sai da banda de flexibilidade é liquidado ao PLD, o preço de curto prazo. Veja erros e multas no mercado livre.
- A empresa compensa créditos de geração distribuída: consumidor livre não pode participar do sistema de compensação da energia solar do telhado (Lei 14.300/2022, art. 9º, parágrafo único). Compare os caminhos em energia solar ou mercado livre.
- A conta é pequena e a distribuidora tem tarifa baixa: a diferença de preço pode não pagar o trabalho de gestão. Só a análise da conta responde.
Voltar do mercado livre para o mercado cativo
A volta existe, mas é lenta. No Grupo A, a empresa precisa avisar a distribuidora com 5 anos de antecedência, e a distribuidora pode aceitar um prazo menor, mas não é obrigada. Até lá, a empresa continua no ACL e precisa ter contrato de energia. Quando a volta compensa e quanto ela custa está em voltar ao mercado cativo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre mercado livre e mercado cativo de energia?
No mercado cativo (ACR), a empresa compra energia da distribuidora da sua região, pela tarifa que a ANEEL homologa, com reajuste anual e bandeiras tarifárias. No mercado livre (ACL), ela escolhe o fornecedor e negocia preço, prazo, volume e fonte em contrato. Nos dois, a distribuidora continua dona da rede e cobra pelo uso do fio (TUSD), e encargos e impostos continuam na conta.
ACL e Mercado Livre de Energia são a mesma coisa?
Sim. Mercado Livre de Energia é o nome popular do Ambiente de Contratação Livre (ACL). Da mesma forma, mercado cativo e mercado regulado são nomes do Ambiente de Contratação Regulada (ACR). Consumidor livre é quem compra no ACL; consumidor cativo é quem compra da distribuidora.
Bandeiras tarifárias são cobradas no mercado livre?
Não sobre a energia comprada no mercado livre. A bandeira é um mecanismo da tarifa regulada; no ACL, o preço da energia é o do contrato. Isso não quer dizer conta congelada: contrato indexado ao PLD varia com o mercado, e TUSD, encargos e impostos seguem sendo reajustados.
Posso voltar ao mercado cativo depois de migrar?
Pode, mas não de imediato. No Grupo A, a volta à tarifa regulada exige aviso prévio de 5 anos à distribuidora (Lei 9.074/1995, art. 15, §8º), que pode aceitar prazo menor, mas não é obrigada. Encerrar o contrato com a comercializadora não devolve a empresa ao mercado cativo: ela continua no ACL e precisa de um novo fornecedor.
Leitura relacionada: o que é o mercado livre de energia, quem pode migrar e como funciona o setor elétrico brasileiro.
Fontes e Referências
- * Projeção ELB: teto estimado de economia na parcela de energia da conta, calculado pelo Energia Livre Brasil com a tarifa média de energia das distribuidoras e o preço de longo prazo do mercado livre (Boletim da Energia Livre, Abraceel, julho de 2026) e as tarifas homologadas pela ANEEL. Os 35% só são alcançados nas distribuidoras de tarifa mais alta e no perfil de consumo mais favorável. Não inclui uso da rede (TUSD), encargos e impostos, e não é promessa de economia. Como calculamos →
- Lei 9.074/1995 — criação do consumidor livre (arts. 15 e 16) e aviso prévio para o retorno ao mercado regulado (art. 15, §8º). planalto.gov.br
- MME — Portaria Normativa nº 50/2022: abertura do ACL a todo o Grupo A e representação por varejista abaixo de 500 kW. Lei 15.269/2025 e Decreto nº 13.097/2026: abertura para a baixa tensão. gov.br/mme · planalto.gov.br
- ANEEL — Resolução Normativa 1.000/2021: contratos de uso do sistema e de compra de energia regulada; art. 133, §4º, II (redação da REN 1.081/2023), prazo de denúncia do contrato de energia regulada. aneel.gov.br
- Lei 14.300/2022, art. 9º, parágrafo único — consumidores livres não participam do Sistema de Compensação de Energia Elétrica. planalto.gov.br
- Abraceel — Boletim da Energia Livre, 97ª edição (set/2026), dados de jul/2026: preço de longo prazo, tarifa média das distribuidoras, economia média, consumidores livres e varejistas e duração dos contratos. abraceel.com.br
Nota sobre os dados
As regras de acesso ao mercado livre estão em transição com a abertura para a baixa tensão, e parte delas ainda depende de regulação da ANEEL. Os preços do Boletim da Abraceel são médias de mercado da parcela de energia, não cotação. Consulte sempre a análise gratuita e, quando necessário, um especialista regulatório.
Conteúdo revisado e atualizado em outubro de 2026.
Descubra agora
quanto você perde todo mês
Envie o PDF da sua conta de luz e receba uma análise completa com o quanto sua empresa pode economizar por ano. Sem compromisso, sem custo, sem complicação.